"Quando tudo era chão batido e sonho grande."
- casadasmemoriaspal
- 24 de mai. de 2025
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Antes do asfalto, era poeira. Antes dos prédios, barracas de lona. Antes da cidade, o sonho. Neste artigo, revisitamos as lembranças dos primeiros dias de Palmas, contadas por quem chegou antes de tudo e viu a capital nascer do chão do cerrado. Histórias de coragem, improviso e esperança, que ajudaram a construir não só ruas e casas — mas uma cidade inteira com alma e coração.
O Início: Terra, Lona e Esperança
Palmas começou como um ponto no mapa e um punhado de sonhos na cabeça de homens e mulheres vindos de todas as partes do Brasil. Muitos traziam apenas a roupa do corpo, um colchão amarrado sobre a carroceria de caminhões e a esperança de recomeçar.
“Quando cheguei, só tinha poeira e barracas improvisadas. A gente dormia no chão duro, cozinhava no fogareiro e usava baldes pra pegar água. Era difícil, mas a esperança era maior”, lembra Maria Antônia de Souza, 68 anos, vinda de Imperatriz (MA), no Nordeste.
A cidade era um grande acampamento. Famílias inteiras viviam sob lonas esticadas com varas, cozinhavam em latas reaproveitadas e dividiam tudo: comida, ferramentas, notícias e sonhos. Era difícil, mas havia uma energia no ar — a certeza de estar participando de algo grande, inédito, histórico.
Improviso que Virou Fundação
Sem infraestrutura, a criatividade virou ferramenta de sobrevivência. A escola funcionava em um galpão aberto. O posto de saúde, em um contêiner emprestado. Os primeiros comércios eram feitos com madeira reaproveitada e lona de caminhão.
“Tudo era improvisado, mas a vontade de ficar era maior do que qualquer dificuldade. Aqui eu vi meus meninos crescerem, aprendi a construir com as próprias mãos. A cidade cresceu junto com a gente”, conta João Pedro Alves, 72 anos, natural de Gurupi (TO), no Centro-Oeste, que chegou em 1990 com a esposa e três filhos pequenos.
Do improviso nasceram os primeiros alicerces: casas de barro e madeira que, aos poucos, foram dando lugar ao concreto. As ruas de terra foram sendo niveladas. Chegou a luz elétrica, chegou a água encanada. Mas o espírito pioneiro continuou.
Uma Cidade com Alma
Palmas não foi apenas construída com cimento e tijolos, mas com laços. As amizades feitas na poeira viraram vizinhanças duradouras. Os mutirões para erguer casas ou limpar ruas se transformaram em tradições comunitárias.
“Eu vim de Rio Branco, no Acre, com minha mãe e meus irmãos. Tinha só 15 anos. Nunca tinha visto tanta gente trabalhando junto, dividindo o que tinha. Aqui eu aprendi o que é comunidade de verdade”, conta Renato Lima, hoje com 49 anos, morador da região norte de Palmas.
A cada barraca desmontada para dar lugar a uma casa de alvenaria, ficava um pedaço da história de quem ali acreditou. Cada esquina tem uma memória. Cada árvore plantada, uma lembrança viva do esforço coletivo.
Guardando o Passado, Construindo o Futuro
Revisitar essas histórias é mais do que celebrar o passado. É entender de onde viemos, valorizar quem nos trouxe até aqui e fortalecer o sentimento de pertencimento. Palmas nasceu da força de seu povo, e essa força ainda vive em cada rua, em cada praça, em cada memória guardada.
Se você também tem lembranças dos primeiros dias de Palmas, compartilhe conosco. Sua história faz parte da nossa história.





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